terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Eu sou culpado

Promessa é dívida? Pelo menos pra mim, sim. Então, como prometido, segue meu mea culpa sobre a atual situação do Fluminense. Senta que lá vem história.

Primeiro, permita-me, caro leitor, contextualizar minha posição. Para quem não sabe, sou do Esperança Tricolor, um grupo político formado por apaixonados pelo Fluminense, pessoas que nunca quiseram um mísero real do clube, mas que já ofereceram muito mais que isso, e não falo apenas de dinheiro. 

Só que esse texto não é do Esperança, é meu. Porque as impressões que vou passar aqui são todas minhas. Por certo, algumas são compartilhadas, mas quero falar apenas por mim.


Entrei no grupo ainda antes de lançarmos uma pré candidatura, com o nome do André Horta, filho do eterno presidente Horta. O grupo queria mostrar suas ideias, e trabalhamos duro para montar um projeto sério, factível, e que, caso fosse bem sucedido, poderia levar o Club a um lugar de destaque no cenário nacional e internacional. Modéstia à parte, o projeto era realmente bom. Com o tempo percebemos que ajustes precisariam ser feitos, isso nunca foi problema, sempre estivemos e estamos abertos a novas ideias.

Iniciamos o processo cedo, dois anos antes do previsto para as eleições. Queríamos fomentar as discussões sobre o Fluminense, com quem quisesse participar das discussões.

O caminho se mostrou árduo. Há muitos interesses quando se fala de um clube que movimenta R$ 200M/ano. Há barreiras quase (guarde bem isso) que intransponíveis. Há verdadeiras capitanias hereditárias no coração de Laranjeiras. 

Um cara que viveu o Fluminense somente das arquibancadas, como eu, deveria se assustar e desistir. 
Eu me assustei mais do que gostaria, mas sou teimoso demais pra desistir.


Eu queria ser parte da mudança. O Esperança também. Nesse processo, muita gente boa veio e se foi. Muitas alegrias e muitas decepções. Faz parte. Não tem criança na política do Fluminense, aliás quase não tem jovens. Raros são os que não tem cabelos brancos sem que sejam pintados. Então, se não há crianças, há que se ter maturidade e entender que nem todas as decisões, principalmente as tomadas de cabeça quente, são para sempre.

No meio do caminho das eleições nos juntamos com várias pessoas que queriam, aparentemente, o mesmo que nós. Muitos (os que queriam) estão conosco até hoje. Nossa pré candidatura foi deixada em prol de uma candidatura mais forte e com mais possibilidades. Enfrentamos mais um pouco de problemas, por imaturidade política do nosso então candidato e surge uma terceira opção... Você pode achar louco isso, eu também achei. Só que eu tinha a plena sensação que caminhávamos no sentido correto. Até o último passo antes da eleição.

Véspera da entrega dos nomes que comporiam a chapa (talvez você não saiba, mas são necessários 200 sócios contribuintes/proprietários/beneméritos assinando uma chapa para que ela possa concorrer. Lembra dos cabelos brancos? Esses 200 nomes mantém as cabeças brancas nos mesmos lugares), surge a decisão mais difícil que já tomei na vida... Juntar nossa chapa, que as pesquisas indicavam como a terceira em intenção de votos, com a chapa da Flusocio. Eu nunca saberei como seria se eu tivesse optado por não seguir esse caminho.

É fácil dizer que foi loucura, assim como era fácil naquele momento. Sério, foi o que eu mais falei naquele dia: "isso é loucura". 

Essa já era nossa quarta posição política num período de dois anos... Um equívoco, no meu entender atual, permitido àqueles que foram entendendo como se construia um avião em pleno vôo.

O outro lado é que passamos dois anos batendo de fora pra dentro, sem sequer arranhar as estruturas, e, de repente, tínhamos a oportunidade de, estando dentro da gestão, ajudar efetivamente o clube.

Várias promessas foram feitas, a principal: participação efetiva na gestão através de VPs, Conselho Diretor, conselhos que se formariam em cada área, decisões colegiadas.

Participamos de um churrasco no dia derradeiro... Eu não conseguia comer pq estava com o estômago embrulhado. Tínhamos três opções (e não se engane, todos tentaram se juntar às vésperas das eleições), uma era palatavel para mim, embora eu tivesse minhas ressalvas (ainda as tenho, mas o entendo bem mais), as outras duas me faziam querer abandonar tudo, até as arquibancadas. Foram os grupos que mais critiquei durante os dois anos anteriores. Pessoas que levaram JUNTAS o Club para a situação crítica que estava. Pessoas que fizeram parte efetiva na desgraça que se tornou o Fluminense após a saída do saudoso David Fischel.

Acabou que optamos por tentar.

Não é preciso acompanhar muito a política do clube para saber que era tudo falácia dos líderes da "seita". Nada do que apresentamos foi aproveitado, nem mesmo quando levamos um projeto de revitalização de Laranjeiras a custo zero para o clube. Nenhuma ideia para a comunicação, para o futebol, para o marketing... ZERO. E nesse ponto preciso dividir o ônus entre quem merece. "Nossos" VPs não apoiaram nenhum desses nossos movimentos. Os interesses são muitos.

Pois bem, como conselheiro dentro de um CDel viciado, vi de perto as aprovações das contas do ex presidente... Um escárnio tão grande que me deu a certeza que existem tricolores que não torcem pelo Fluminense, mas pelo seu grupo político. Vi reuniões esvaziadas, deboche, soco na cara... tudo que vc espera do comportamento de um pessoal que veste outras cores eu vi dentro do Salão Nobre.

Então eu sou responsável também pela pior campanha do Fluminense nos pontos corridos, não pela posição, como vomita a seita, mas pela pontuação. Sou responsável pelas contratações bisonhas, pela dispensa do começo do ano, que dá um livro cujo título poderia ser "A incompetência escancarada de Abad".

E isso tem jeito? Escrevi lá em cima que há barreiras quase intransponíveis, mas há meios, sim, pelas vias normais de retomar o clube das mãos da seita e dos fantasmas do EO. São os sócios torcedores. Lutem para colocar na presidência alguém que se comprometa a acabar com tudo que não seja futebol ou auto suficiente enquanto o clube estiver mal das pernas, atrasando salários de funcionários humildes e de jogadores, mantendo back office ganhando salários astronômicos, aumentando a dívida de curto prazo do clube e pior, destruindo o futebol.

Exijam que seu próximo presidente promova uma reforma estatutária séria, que dê voz de fato aos Sócios Futebol, porque sem tricolores participando, ficará cada vez mais fácil a vida das cabeças brancas, muitas torcedoras de outras agremiações.

Eu seguirei na luta, tentado acertar mais. Se vc quiser vir, pode chegar. É feio, é fedido, é nojento, mas alguém tem que limpar o Fluminense FOOTBALL Club.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Humildade e canja de galinha

Humildade, por definição, é virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações. 

Infelizmente tem faltado humildade na relação entre a Gestão do clube e a torcida, quer seja da parte de integrantes diretos da gestão, quer seja da parte de grupos políticos de apoio. 

Falar que a torcida é o maior bem do Fluminense, é chover no molhado, mas tem muita gente esquecendo disso, ignorando o básico. 

A torcida não precisa ter razão para ser ouvida, não precisa corroborar com os pensamentos da diretoria para ser respeitada. Basta ser torcida. 

E daí que no meio da torcida há os que fazem política? Todos nós fazemos a partir do momento que acordamos. Faz parte da vida ser político. 

Ser humilde e aceitar que não temos todas as respostas, ou que algumas das respostas que demos não eram as soluções ótimas ou mesmo adequadas para algumas situações, não faz de nós fracos, pelo contrário. Mostra que estamos engajados em não repetir erros e buscar melhores acertos. 

Quem tem acesso às ações internas do clube sabe que muita coisa foi feita, sabe que a cama está sendo preparada e sabe também que muito pouco foi divulgado. Sabe também que se nada der certo no principal que é o Futebol, ninguém estará interessado no backstage. 

A torcida clama por um futebol competitivo e não por campanhas que se limitem em serem melhores que as piores que já tivemos. 
E quando falo torcida entendo que todos nós estamos incluídos, fazendo parte da gestão ou não, porque todos queremos um Fluminense maior do que já é. 

Humildade e canja de galinha não fazem mal a ninguém. 2018 já começou antes mesmo de 2017 acabar, não temos tempo a perder e nem cartuchos a queimar com escolhas erradas. 

Saudações Tricolores. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A política no Fluminense

Há tempos eu venho relutando em escrever sobre a política no Fluminense. E isso se dá pelo simples fato de perceber que as pessoas curtem muito uma "política" destrutiva, daquelas que acabam com reputações, destroem histórias...

Essa política destrutiva é a cara da política tricolor, e não tem lado...

Existem coisas mais importantes no clube para resolver, em vez de discutirmos essas coisas, falamos de política.
O clube vai mal das pernas no campo, em vez de propormos soluções, falamos de política.

As coisas mudaram um pouco no clube, existe uma busca por profissionalização, é claro que depende muito da bola entrar pra que haja paciência com o que se faz fora de campo, mas o ranço da velha política segue impregnada no clube.
Os senhores feudais ainda acreditam que vivemos em Capitanias Hereditárias e nada que aconteça parece mudar isso.

Tem horas que você se vê num mar de futilidades, ou numa reunião de condomínio onde todos querem ter razão e ninguém está preocupado com a solução dos problemas.

Infelizmente isso se aplica tanto a quem está situação e quem está oposição. Quem está de fora vê fotografias e acha que tem a visão do todo, quando estiveram com a visão do todo, nada fizeram... Bem parecidos com alguns que estão situação hoje.
Tem também os que não fazem ideia do que está acontecendo e querem se manifestar como se estivessem a par de tudo, é o famoso "viu o galo cantar, mas não sabe onde".

Pobre Fluminense...

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

QI de Futebol

Quem acompanha esportes americanos sabe que eles são loucos por estatísticas, que eles colocam números em praticamente tudo, com a intenção de criar métricas ou seja, um meio de poder comparar cada jogador, cada equipe e o que mais eles quiserem.

De uns tempos pra cá percebemos que os demais esportes têm acompanhado, mesmo que timidamente, esse movimento. No futebol temos especialistas em estatísticas pra todo lado que olhamos.

Só que o ponto que quero destacar aqui não é um dos indicadores estatísticos que vemos nos esportes, mas uma característica subjetiva, o QI de Futebol. O termo não é tão comum, principalmente se comparado ao basquete, mas ele define um conjunto de características que mostram o entendimento técnico e tático do esporte.

Aqui no Brasil normalmente aplicamos o termo "entendedor/leitor de jogo", isto é, o narrador ou comentarista diz que determinado jogador entende o jogo ou faz a leitura correta do jogo.

E esse preâmbulo todo é apenas para constatar que temos escassez de jogadores que entendam o jogo, ou simplesmente, tenham um alto QI de Futebol.

Isso se traduz em times inteiros presos a um esquema tático não funcional porque treinaram nesse esquema toda a semana, jogadores que dependem do intervalo onde o técnico explica o óbvio: "senhores, não está funcionando. Vamos alterar aqui, aqui e aqui para sair da marcação e criar espaços". Claro que o técnico precisa orientar os jogadores, mas qualquer um com QI de Futebol poderia antecipar essas mudanças, sem a necessidade de chegar ao intervalo.

Quero falar do jogo de ontem, no empate fora de casa, mas antes vou dar um exemplo que mostra claramente o que estou dizendo:

Fluminense x São Paulo, Libertadores de 2008, jogo da volta. Muricy prepara o mesmo esquema que funcionou muito bem no jogo de ida, com o segundo volante apertando o Cícero no campo de defesa do Flu, só que no segundo jogo Renato Gaúcho colocou o Cícero enfiado no meio dos zagueiros são-paulinos. O resultado foi um buraco no meio de campo paulista pelo simples fato do segundo volante seguir o Cícero. Ele não leu o jogo, ao contrário do Rogério Ceni que gritava alucinado pra ele deixar de acompanhar o jogador tricolor e do Muricy descabelado à beira do campo falando o mesmo. 1x0 a gente antes que o problema fosse resolvido.

Voltemos ao jogo de ontem... Talvez um time com mais QI de Futebol saísse da marcação do Vitória depois de uns 15 minutos de jogo, mas foi necessário o intervalo para que o Abel mostrasse que os 10 dias de treinamento estavam sendo subjugados por uma marcação alta, o que deveria ser previsto, já que o Vitória tem atuado assim sob o comando do Mancini.

Noves fora a parte tática, tivemos problemas individuais sérios, Lucas muito mal na lateral direita, Orejuela longe daquele do Estadual, Scarpa irreconhecível, para faler apenas dos que nada fizeram no jogo inteiro. Porém, o desfecho ficou por conta do Nogueira. Zagueiro que não leu o jogo do Vitória no fim do jogo... Único marcador dentro da pequena área dando condições pra quem quisesse vir de trás. Um QI de Futebol um pouco maior lhe daria todas as condições de entender que a marcação estava tentando empurrar os adversários para fora da área.

Dois pontos desperdiçados, e o horizonte segue sombrio.

Destaque para Wendell, autor do primeiro gol, Wellington Silva que se não foi excelente, voltou a tentar as jogadas agudas e sofreu o pênalti e Henrique Dourado que ceifou mais uma vez, dando aula de como bater pênaltis. 15 cobranças, 15 gols. Monstro.

Robinho, entrou com mais vontade que prudência, normal para quem quer seu espaço. Vá com calma, jovem, um degrau de cada vez.

ST.