segunda-feira, 11 de setembro de 2017

QI de Futebol

Quem acompanha esportes americanos sabe que eles são loucos por estatísticas, que eles colocam números em praticamente tudo, com a intenção de criar métricas ou seja, um meio de poder comparar cada jogador, cada equipe e o que mais eles quiserem.

De uns tempos pra cá percebemos que os demais esportes têm acompanhado, mesmo que timidamente, esse movimento. No futebol temos especialistas em estatísticas pra todo lado que olhamos.

Só que o ponto que quero destacar aqui não é um dos indicadores estatísticos que vemos nos esportes, mas uma característica subjetiva, o QI de Futebol. O termo não é tão comum, principalmente se comparado ao basquete, mas ele define um conjunto de características que mostram o entendimento técnico e tático do esporte.

Aqui no Brasil normalmente aplicamos o termo "entendedor/leitor de jogo", isto é, o narrador ou comentarista diz que determinado jogador entende o jogo ou faz a leitura correta do jogo.

E esse preâmbulo todo é apenas para constatar que temos escassez de jogadores que entendam o jogo, ou simplesmente, tenham um alto QI de Futebol.

Isso se traduz em times inteiros presos a um esquema tático não funcional porque treinaram nesse esquema toda a semana, jogadores que dependem do intervalo onde o técnico explica o óbvio: "senhores, não está funcionando. Vamos alterar aqui, aqui e aqui para sair da marcação e criar espaços". Claro que o técnico precisa orientar os jogadores, mas qualquer um com QI de Futebol poderia antecipar essas mudanças, sem a necessidade de chegar ao intervalo.

Quero falar do jogo de ontem, no empate fora de casa, mas antes vou dar um exemplo que mostra claramente o que estou dizendo:

Fluminense x São Paulo, Libertadores de 2008, jogo da volta. Muricy prepara o mesmo esquema que funcionou muito bem no jogo de ida, com o segundo volante apertando o Cícero no campo de defesa do Flu, só que no segundo jogo Renato Gaúcho colocou o Cícero enfiado no meio dos zagueiros são-paulinos. O resultado foi um buraco no meio de campo paulista pelo simples fato do segundo volante seguir o Cícero. Ele não leu o jogo, ao contrário do Rogério Ceni que gritava alucinado pra ele deixar de acompanhar o jogador tricolor e do Muricy descabelado à beira do campo falando o mesmo. 1x0 a gente antes que o problema fosse resolvido.

Voltemos ao jogo de ontem... Talvez um time com mais QI de Futebol saísse da marcação do Vitória depois de uns 15 minutos de jogo, mas foi necessário o intervalo para que o Abel mostrasse que os 10 dias de treinamento estavam sendo subjugados por uma marcação alta, o que deveria ser previsto, já que o Vitória tem atuado assim sob o comando do Mancini.

Noves fora a parte tática, tivemos problemas individuais sérios, Lucas muito mal na lateral direita, Orejuela longe daquele do Estadual, Scarpa irreconhecível, para faler apenas dos que nada fizeram no jogo inteiro. Porém, o desfecho ficou por conta do Nogueira. Zagueiro que não leu o jogo do Vitória no fim do jogo... Único marcador dentro da pequena área dando condições pra quem quisesse vir de trás. Um QI de Futebol um pouco maior lhe daria todas as condições de entender que a marcação estava tentando empurrar os adversários para fora da área.

Dois pontos desperdiçados, e o horizonte segue sombrio.

Destaque para Wendell, autor do primeiro gol, Wellington Silva que se não foi excelente, voltou a tentar as jogadas agudas e sofreu o pênalti e Henrique Dourado que ceifou mais uma vez, dando aula de como bater pênaltis. 15 cobranças, 15 gols. Monstro.

Robinho, entrou com mais vontade que prudência, normal para quem quer seu espaço. Vá com calma, jovem, um degrau de cada vez.

ST.