Promessa é dívida? Pelo menos pra mim, sim. Então, como prometido, segue meu mea culpa sobre a atual situação do Fluminense. Senta que lá vem história.
Primeiro, permita-me, caro leitor, contextualizar minha posição. Para quem não sabe, sou do Esperança Tricolor, um grupo político formado por apaixonados pelo Fluminense, pessoas que nunca quiseram um mísero real do clube, mas que já ofereceram muito mais que isso, e não falo apenas de dinheiro.
Só que esse texto não é do Esperança, é meu. Porque as impressões que vou passar aqui são todas minhas. Por certo, algumas são compartilhadas, mas quero falar apenas por mim.
Entrei no grupo ainda antes de lançarmos uma pré candidatura, com o nome do André Horta, filho do eterno presidente Horta. O grupo queria mostrar suas ideias, e trabalhamos duro para montar um projeto sério, factível, e que, caso fosse bem sucedido, poderia levar o Club a um lugar de destaque no cenário nacional e internacional. Modéstia à parte, o projeto era realmente bom. Com o tempo percebemos que ajustes precisariam ser feitos, isso nunca foi problema, sempre estivemos e estamos abertos a novas ideias.
Iniciamos o processo cedo, dois anos antes do previsto para as eleições. Queríamos fomentar as discussões sobre o Fluminense, com quem quisesse participar das discussões.
O caminho se mostrou árduo. Há muitos interesses quando se fala de um clube que movimenta R$ 200M/ano. Há barreiras quase (guarde bem isso) que intransponíveis. Há verdadeiras capitanias hereditárias no coração de Laranjeiras.
Um cara que viveu o Fluminense somente das arquibancadas, como eu, deveria se assustar e desistir.
Eu me assustei mais do que gostaria, mas sou teimoso demais pra desistir.
Eu queria ser parte da mudança. O Esperança também. Nesse processo, muita gente boa veio e se foi. Muitas alegrias e muitas decepções. Faz parte. Não tem criança na política do Fluminense, aliás quase não tem jovens. Raros são os que não tem cabelos brancos sem que sejam pintados. Então, se não há crianças, há que se ter maturidade e entender que nem todas as decisões, principalmente as tomadas de cabeça quente, são para sempre.
No meio do caminho das eleições nos juntamos com várias pessoas que queriam, aparentemente, o mesmo que nós. Muitos (os que queriam) estão conosco até hoje. Nossa pré candidatura foi deixada em prol de uma candidatura mais forte e com mais possibilidades. Enfrentamos mais um pouco de problemas, por imaturidade política do nosso então candidato e surge uma terceira opção... Você pode achar louco isso, eu também achei. Só que eu tinha a plena sensação que caminhávamos no sentido correto. Até o último passo antes da eleição.
Véspera da entrega dos nomes que comporiam a chapa (talvez você não saiba, mas são necessários 200 sócios contribuintes/proprietários/beneméritos assinando uma chapa para que ela possa concorrer. Lembra dos cabelos brancos? Esses 200 nomes mantém as cabeças brancas nos mesmos lugares), surge a decisão mais difícil que já tomei na vida... Juntar nossa chapa, que as pesquisas indicavam como a terceira em intenção de votos, com a chapa da Flusocio. Eu nunca saberei como seria se eu tivesse optado por não seguir esse caminho.
É fácil dizer que foi loucura, assim como era fácil naquele momento. Sério, foi o que eu mais falei naquele dia: "isso é loucura".
Essa já era nossa quarta posição política num período de dois anos... Um equívoco, no meu entender atual, permitido àqueles que foram entendendo como se construia um avião em pleno vôo.
O outro lado é que passamos dois anos batendo de fora pra dentro, sem sequer arranhar as estruturas, e, de repente, tínhamos a oportunidade de, estando dentro da gestão, ajudar efetivamente o clube.
Várias promessas foram feitas, a principal: participação efetiva na gestão através de VPs, Conselho Diretor, conselhos que se formariam em cada área, decisões colegiadas.
Participamos de um churrasco no dia derradeiro... Eu não conseguia comer pq estava com o estômago embrulhado. Tínhamos três opções (e não se engane, todos tentaram se juntar às vésperas das eleições), uma era palatavel para mim, embora eu tivesse minhas ressalvas (ainda as tenho, mas o entendo bem mais), as outras duas me faziam querer abandonar tudo, até as arquibancadas. Foram os grupos que mais critiquei durante os dois anos anteriores. Pessoas que levaram JUNTAS o Club para a situação crítica que estava. Pessoas que fizeram parte efetiva na desgraça que se tornou o Fluminense após a saída do saudoso David Fischel.
Acabou que optamos por tentar.
Não é preciso acompanhar muito a política do clube para saber que era tudo falácia dos líderes da "seita". Nada do que apresentamos foi aproveitado, nem mesmo quando levamos um projeto de revitalização de Laranjeiras a custo zero para o clube. Nenhuma ideia para a comunicação, para o futebol, para o marketing... ZERO. E nesse ponto preciso dividir o ônus entre quem merece. "Nossos" VPs não apoiaram nenhum desses nossos movimentos. Os interesses são muitos.
Pois bem, como conselheiro dentro de um CDel viciado, vi de perto as aprovações das contas do ex presidente... Um escárnio tão grande que me deu a certeza que existem tricolores que não torcem pelo Fluminense, mas pelo seu grupo político. Vi reuniões esvaziadas, deboche, soco na cara... tudo que vc espera do comportamento de um pessoal que veste outras cores eu vi dentro do Salão Nobre.
Então eu sou responsável também pela pior campanha do Fluminense nos pontos corridos, não pela posição, como vomita a seita, mas pela pontuação. Sou responsável pelas contratações bisonhas, pela dispensa do começo do ano, que dá um livro cujo título poderia ser "A incompetência escancarada de Abad".
E isso tem jeito? Escrevi lá em cima que há barreiras quase intransponíveis, mas há meios, sim, pelas vias normais de retomar o clube das mãos da seita e dos fantasmas do EO. São os sócios torcedores. Lutem para colocar na presidência alguém que se comprometa a acabar com tudo que não seja futebol ou auto suficiente enquanto o clube estiver mal das pernas, atrasando salários de funcionários humildes e de jogadores, mantendo back office ganhando salários astronômicos, aumentando a dívida de curto prazo do clube e pior, destruindo o futebol.
Exijam que seu próximo presidente promova uma reforma estatutária séria, que dê voz de fato aos Sócios Futebol, porque sem tricolores participando, ficará cada vez mais fácil a vida das cabeças brancas, muitas torcedoras de outras agremiações.
Eu seguirei na luta, tentado acertar mais. Se vc quiser vir, pode chegar. É feio, é fedido, é nojento, mas alguém tem que limpar o Fluminense FOOTBALL Club.